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Crendices e superstições em Portugal |
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ANIMAIS |
- Os lagartos são amigos dos homens e as cobras das mulheres.
- Quando se deita penso ao gado, o dono não deve permanecer a presenciar o repasto do animal.
- A coruja bebe o azeite das lâmpadas das igrejas.
- Matar um gato preto, acarreta sete anos de azar.
- Não se devem destruir as teias de aranha, por se acreditar que foi uma daquelas teias que ocultou o Menino Jesus aos soldados de Herodes.
- Não se devem matar os aranhiços pequenos, porque são prenúncio de dinheiro.
- Quando um cão uiva é sinal de morte próxima.
- Quando alguém encontra uma cobra a acasalar com um cobrão, deve atirar-lhes um lenço, pois assim não deixará de ter sorte na vida.
- Uma caveira de burro espetada num pau e colocada junto a um campo de sementeira, espanta o mau olhado.
- Uma porca que ande a fazer criação deve trazer ao pescoço fitinhas vermelhas, para se evitar o mau olhado.
- Para não se perderem os porcos que se deitam fora do chiqueiro, mede-se-lhes a cauda com um pau e guarda-se este por baixo da pia.
- Quando se lança o sangue do porco para a panela, a fim de cozer, deve-se proceder como se estivesse a chamar o porco, a fim de fazer crescer a cozedura.
- Não se devem matar as andorinhas, que são as pitinhas de Nossa Senhora.
- Não se deve ter na capoeira pita “galena”, isto é, que cante de galo.
- As cobras vão ter à cama com as mães dos recém-nascidos e metem a ponta do rabo na boca dos petizes enquanto sugam o leite das mães.
- Quando alguém é mordido por um lacrau, ficará sem dores se utilizar na ferida sangue de mulher menstruada.
- Quem tentar matar uma aranha, esta vai de noite ter com essa pessoa à cama.
- Não se devem matar as rãs, que vão lavar diariamente os pés de Nossa Senhor; quem o fizer, ficará com dores de cabeça
- Para tirar uma cobra que entre na boca de alguém, basta colocar-lhe aos pés uma bacia com leite.
- Quando os animais “aguam”, o dono deve roubar uma folha de couve de sete hortas sem os proprietários saberem.
- Noutra versão, para curar o augamento devem ser roubadas couves em nove hortas.
- Quando a coruja “canta” sobre o telhado das habitações, é sinal de morte próxima.
- Quando algum animal (vitela ou vaca) tiver infecção, dá-se-lhe água de linhaça e grão de linho cozido.
- As “névoas” (feridas nos olhos) das vacas curam-se com mel, aplicando-se este directamente nos olhos infectados do animal.
- As mulheres menstruadas não se devem aproximar dos furões, porque eles morrem. Estes bichos não devem ser tratados por mulheres.
- O bafo das vacas é santo, porque Nosso Senhor nasceu junto de um daqueles animais, o qual O aqueceu.
- Quando se arranca um cabelo pela raiz e se deixa mergulhado durante muito tempo em água, engrossa e transforma-se em cobra.
- Quando se passa por um sítio onde um burro se espolinhou no chão, deve-se cuspir nesse sítio três vezes para não nascerem “trilhaduras” nas plantas dos pés.
- Quem vir uma centopeia e quiser matá-la, para que ela não fuja deve dizer: São Bento te tolha.
- Quando se vê um sapo, deve-se cuspir três vezes, pois ele é venenoso ; igualmente, quando se pronuncia a palavra sapo, deve-se fazer a mesma operação, para evitar que nasçam “sapinhos na boca”.
- Se um sapo fitar uma pessoa, esta deve cuspir três vezes e dizer a oração:
Santos em mim
Quebrantos em ti
- Atribui-se ao mijo de sapo o condão de tirar as sardas das crianças, quando aquelas esfregadas com ele.
- Se alguém quiser matar um sapo e este não fique bem morto, aparecerá a essa pessoa, durante a noite, para lhe urinar na cama.
- Para se fazerem sair os bichos da casa, queimam--se trapos velhos.
- O babojado de cão tem virtudes benéficas na cura das feridas das crianças.
- Na festa de São Sebastião , levam-se as ovelhas pintadas e enfeitadas com berloques e pompons, obrigando-as a andar à volta da capela do Santo até se unirem em círculo fechado, para se livrarem de doenças.
- Quando as andorinhas andam rasteiras é sinal de chuva.
- Quando as raparigas solteiras ouvem o cuco “cucar”, perguntam-lhe:
Cuco da ribeira:
Quantos anos me dás de solteira?
Contam-se as “cucadas” da ave: tantas ela canta, tantos anos a rapariga ficará solteira.
Há quem julgue que os cucos não fazem ninhos próprios por estarem constantemente a responderem a estas perguntas.
- Não é recomendável deitarem a chocar os ovos da galinha na Semana santa, porque ficam gôros, isto é, não nascem.
- Acredita-se que a cotovia canta de manhã para acordar o lavrador, pois se ouve: “Arriba! Arriba!”
- O canto do mocho é sinal de bom tempo, mas o canto da torda (fêmea do tordo) prevê chuva.
- Quando canta o corvo, é sinal de vento.
- Quem, pela manhã bem cedo, ouve cantar o cuco, não morre nesse ano.
- O pássaro noitibó está no rol dos amaldiçoados, por se crer que ele denunciou a Virgem aos soldados de Herodes, ao cantar: “Cá vai! Cá vai!”.
- O mesmo se diz da perdiz, de que se não deve comer a cabeça, visto aquela ave ter seguido atrás do burrinho de Nossa Senhora, quando esta fugia de Herodes, a cantar: “Cá vai! Cá vai!”.
- Igualmente no mesmo rol se encontra a carriça, acreditando-se que este era o maior pássaro do mundo e, ao ser castigado, ficou dos mais pequenos.
- Quanto à galinhola, o inverso se passa, uma vez que, como paga de ter ajudado Nossa Senhora, foi-lhe concedida a regalia de poder ocultar o ninho onde não fosse encontrado pelo homem.
- Acredita-se que onde canta o cuco, aí resida um marido vítima da infidelidade conjugal. Esta sina provém da lenda que diz ter o cuco sido casado com a poupa, tendo surpreendido a companheira em adultério com o mocho. Daí o aplicar-se o seu nome aos ditos infelizes .
- Sendo ouvido pelos rapazes, estes devem espoli-nhar-se no chão, pois assim poderão encontrar mais facilmente ninhos de perdizes.
- Para que os gatos não fujam da casa dos donos, untam-lhes as patas com azeite quando são pequenos.
- Os gatos pretos trazem felicidade, mas não se devem matar, pois dá azar e sete anos de atraso ou menos sete anos de vida para quem o fizer.
- Para que um gato não fuja de uma casa, deve untar-se-lhe as patas com azeite.
- Uma borboleta que entre em casa, é sinal de carta: se for branca, é sinal de boas notícias; se preta, sinal de más.
- Para que os animais passem à porta de casa, à ida e ao regresso, sem apanharem o “augamento”, deve dar-se-lhes um bocado de pão ou batata.
- Os lagartos, que são amigos do homem, avisam -no da presença das cobras, mordendo aquele suavemente quando está desprevenido a dormir.
- Quando alguma égua ou burra pare uma cria, colocam ao pescoço desta uma bolsa com aipo e alho presa por uma fitinha vermelha, por via dos maus olhados e bruxaria.
- Para se tirar a servilheira (sic), que é uma crosta branca, dos burros, esfrega-se-lhes a língua com sal e vinagre.
- Quando as vacas se encontram “empertigadas”, dão-lhes água de azeitonas; quanto mais velha for a água das azeitonas, melhor.
- Quando alguém mata um lobo, coloca-o sobre um burro e vai com ele pedir pelas portas; geralmente consegue receber dinheiro e muitos géneros, não só de pastores, como de toda a população.
- O cheiro de roupas velhas queimadas afugenta as cobras chocas .
- As cobras são inimigas dos homens e amigas das mulheres.
- As cobras gostam de beber leite.
- Para que uma cobra venenosa não faça mal, deve-se dizer a oração da Salvé-Rainha às avessas.
- Quando o grilo canta numa cozinha, é fortuna para a casa.
- Quando se mata uma ave (por exemplo: uma galinha), e ela custa a morrer, é porque alguém está com pena dela.
- As corujas bebem o azeite das lâmpadas das igrejas.
- O piar da coruja pressagia morte próxima.
- Nas cortes do gado é costume pregarem-se ferraduras de burro preto nas portas, a fim de evitar os maus olhados.
- Quando se dá de beber aos animais (muar e cavalar) deve-se assobiar para que eles bebam mais depressa.
- Quando uma vaca pare uma cria, ata-se uma pedra à envide (saco amniótico), por via desta não recolher. A pedra não deve pesar mais de meio quilo, pois pode obrigar a madre a sair para fora.
- A língua dos cães é benta. Quando Lázaro andava com lepra, foi pedir à porta de um rico e este não lhe deu esmola, açolando-lhe os cães. Então os cães, em vez de morderem em Lázaro, lamberam-no.
- Quando as galinhas se espiolharem é sinal de chuva. |
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